Amo um ser que não ver.
Amo um ser que se faz centro de meu mundo, não tendo, contudo, ciência disso, ele.
É um ser que sei inacessível. É amor que sei irrealizável.
Meu amor, sempre guardou, junto de si, dor e amargura.
Nada seria fácil, tudo seria loucura.
Vi-me despojado de todas minhas defesas,
De todo meu comedimento.
Eu era dele e estava entregue à sua sorte.
No entanto, os olhos do amor que tenho tem brilho voltado para outras estrelas.
Tem vontades e necessidades que o afastam, mais e mais, de mim.
Restando-me, pois, o amargor de uma solidão não querida:
A rara que me permito.
Ele que todo meu corpo tem e que perturba cada ideia minha.
Ele que tem o cheiro do paraíso perdido, naturalmente esplendoroso.
Ele que meus abraços não abraçarão.
O amor é algo difícil.
O amor não não para minha satisfação.
Agora, tenho, somente, que passar.
Há limitação. Há dor. Há algo por vir.
sexta-feira, 12 de setembro de 2014
O Caminhar Sozinho
O afastar-me dos demais apraz meu espírito.
Não existe aconchego na comungação da superfície.
Ou, talvez, prefira a caminhada solitária, por entendê-la mais justa.
Os outros, muitas vezes, são a irrelevância da vida.
São o símbolo latejante de nossa carência.
O que nos conforma que nos torne tão incompletos?
Tão desejosos do vínculo social?
Digo eu: nada.
No que diz ao meu respeito é mais conveniência e menos necessidade de interação.
Eu prescindo da futilidade das relações e palavras.
Prescindo de fingir interesse.
Por óbvio, eventualmente, uma ou outra concessão faz-se adequada.
Afinal, os outros são seres, igualmente, desejos e carentes.
Não existe aconchego na comungação da superfície.
Ou, talvez, prefira a caminhada solitária, por entendê-la mais justa.
Os outros, muitas vezes, são a irrelevância da vida.
São o símbolo latejante de nossa carência.
O que nos conforma que nos torne tão incompletos?
Tão desejosos do vínculo social?
Digo eu: nada.
No que diz ao meu respeito é mais conveniência e menos necessidade de interação.
Eu prescindo da futilidade das relações e palavras.
Prescindo de fingir interesse.
Por óbvio, eventualmente, uma ou outra concessão faz-se adequada.
Afinal, os outros são seres, igualmente, desejos e carentes.
sábado, 17 de maio de 2014
GRAÇA DESPREOCUPADA
A graça dos despreocupados.
É a graça, a graça dos despreocupados.
Dos que andam, dos que riem sem se importar.
Dos que falam, dos cantam sem para os outros ligar.
A graça, a graça dos despreocupados...
Que amam e odeiam sem máscaras usar.
A graça, a graça no porte e no portar.
É a graça, do caboclo, menino.
É graça que vem e não vai.
É a graça de vestir-se às avessas
E mostrar-se diante dos homens nus.
A graça. A graça de orbitar outras esferas
Mais leves, mais atrevidas, mais humanizadas.
E dizer, todos os dias, pro mundo:
- Eu sou homem pensante e nada mais há.
A graça dos despreocupados.
Que vão e vem, que vieram e foram.
Dos que ostentam na face
A humanidade crua. Fria. Viva. Quente.
Mordaz.
- Tiago Silva
É a graça, a graça dos despreocupados.
Dos que andam, dos que riem sem se importar.
Dos que falam, dos cantam sem para os outros ligar.
A graça, a graça dos despreocupados...
Que amam e odeiam sem máscaras usar.
A graça, a graça no porte e no portar.
É a graça, do caboclo, menino.
É graça que vem e não vai.
É a graça de vestir-se às avessas
E mostrar-se diante dos homens nus.
A graça. A graça de orbitar outras esferas
Mais leves, mais atrevidas, mais humanizadas.
E dizer, todos os dias, pro mundo:
- Eu sou homem pensante e nada mais há.
A graça dos despreocupados.
Que vão e vem, que vieram e foram.
Dos que ostentam na face
A humanidade crua. Fria. Viva. Quente.
Mordaz.
- Tiago Silva
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
Desesperança
Estou sozinho no mundo.
Eu, o execrável.
Não há nada mais para mim.
Não haverá mais ilusões.
Nem esperanças.
Já recebi todas as dádivas que estas criaturas medíocres poderiam me ofertar.
Rejeição. Solidão. Desesperança.
A luz, agora, será só minha.
Brilhará somente para mim.
Não buscarei mais.
Pois não se busca aquilo que inexiste.
Decido.
Far-se-á.
Eu, o execrável.
Não há nada mais para mim.
Não haverá mais ilusões.
Nem esperanças.
Já recebi todas as dádivas que estas criaturas medíocres poderiam me ofertar.
Rejeição. Solidão. Desesperança.
A luz, agora, será só minha.
Brilhará somente para mim.
Não buscarei mais.
Pois não se busca aquilo que inexiste.
Decido.
Far-se-á.
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
Enojado
Asco me toca. Que frivolidade exacerbada esta que acomete a todos.
Os tempos, mais que nunca, são difíceis. Há certa gravidade permeando nossas vidas sem que percebamos...
Apenas alguns loucos a conhecem....
Desconhecendo-a no mais íntimo de seu ser.
Tudo isso é um brado à irreflexão. Um brinde ao não-ser...
Estamos todos loucos, afinal de contas... pondo nossas atenções naquilo que se faz improdutivo - infértil.
O que é do ser humano senão um não fazer sentido?
O que é ele senão a profusão de leviandades e irrelevâncias?
E o que toca com suas mãos, senão a dura e mentirosa comungação - o dissimulado lugar comum?
Que país é esse? Que pessoas pessoas são essas?
Reunidas em torno de um grande nada como insetos em torno da luz, extasiados.
Foi isso o que plantaram as gerações revolucionários anteriores?
Essa falta de comprometimento?
Estarei discorrendo acerca de bobagens?
Sendo o verdadeiro e único tolo dessa história?
Talvez... ms isso é matéria que me é alheia.
Os tempos, mais que nunca, são difíceis. Há certa gravidade permeando nossas vidas sem que percebamos...
Apenas alguns loucos a conhecem....
Desconhecendo-a no mais íntimo de seu ser.
Tudo isso é um brado à irreflexão. Um brinde ao não-ser...
Estamos todos loucos, afinal de contas... pondo nossas atenções naquilo que se faz improdutivo - infértil.
O que é do ser humano senão um não fazer sentido?
O que é ele senão a profusão de leviandades e irrelevâncias?
E o que toca com suas mãos, senão a dura e mentirosa comungação - o dissimulado lugar comum?
Que país é esse? Que pessoas pessoas são essas?
Reunidas em torno de um grande nada como insetos em torno da luz, extasiados.
Foi isso o que plantaram as gerações revolucionários anteriores?
Essa falta de comprometimento?
Estarei discorrendo acerca de bobagens?
Sendo o verdadeiro e único tolo dessa história?
Talvez... ms isso é matéria que me é alheia.
quarta-feira, 11 de julho de 2012
Heavens
Cada passo que dou me afasta mais e mais do céu. As nuvens, ao longe, se dissipam ao vislumbre de um olhar perdido.
Amores, paixões, medos... Tomam conotações diversas, tornam-se quimeras prestes a me devorar inteiro.
Não toco mais, nunca toquei, a leve certeza que tem os tolos. A verdade que não queria me está entregue
Em minhas mãos... Como o pó que é lançado, pelo vento, em meu rosto, incomodando-me.
Espinho na carne que é.
Eu sei a verdade. Eu sei minha verdade e antes a desconhecesse... ah, mais e mais Feliz eu seria.
Todos os dias ciente de minha sorte; minha sorte, minha maldição...
Os olhos, cansados, mas ainda ávidos, não sabem o que querem mais...
Paixões... mil por dia. Amor... só um.
Todavia não sou mais feliz por isso, ah, inferno de Amar... sozinho, na calada da noite adentro...
Pensando, cogitando, me iludindo.
Por isso, torno meus passos espassos...
Desconheço contentamento. Sinto, apenas, na pele nua, um gosto que marca amargamente...
Como que a pena por não saber...
É... não sei de muitas coisas...
Sei somente do vento vivo, que toca minh'alma e faz-me lembrar: Estou vivo!
Ainda estou vivo.
Amores, paixões, medos... Tomam conotações diversas, tornam-se quimeras prestes a me devorar inteiro.
Não toco mais, nunca toquei, a leve certeza que tem os tolos. A verdade que não queria me está entregue
Em minhas mãos... Como o pó que é lançado, pelo vento, em meu rosto, incomodando-me.
Espinho na carne que é.
Eu sei a verdade. Eu sei minha verdade e antes a desconhecesse... ah, mais e mais Feliz eu seria.
Todos os dias ciente de minha sorte; minha sorte, minha maldição...
Os olhos, cansados, mas ainda ávidos, não sabem o que querem mais...
Paixões... mil por dia. Amor... só um.
Todavia não sou mais feliz por isso, ah, inferno de Amar... sozinho, na calada da noite adentro...
Pensando, cogitando, me iludindo.
Por isso, torno meus passos espassos...
Desconheço contentamento. Sinto, apenas, na pele nua, um gosto que marca amargamente...
Como que a pena por não saber...
É... não sei de muitas coisas...
Sei somente do vento vivo, que toca minh'alma e faz-me lembrar: Estou vivo!
Ainda estou vivo.
domingo, 1 de julho de 2012
Farto disso tudo aqui
Não há momentos.
Não há momentos, não há momentos. Não há realizações!
Há somente um grande e obscuro desejo.
Abrindo sua boca voraz ao mundo.
Não há os momentos.
Não existe a constatação.
Tudo que minha fome engoliu
Não passou de mera ilusão.
Pés, no chão, fincados.
Mãos e cotovelos, também.
É chegado "o momento"...
Daqueles que nunca vêm!
Há um grande vazio ao meu lado.
Silencioso, ao meu lado, na cama.
Comungando dos pesadelos que tive,
Nas minha trevas, jogado na lama.
Não há momentos, não há momentos. Não há realizações!
Há somente um grande e obscuro desejo.
Abrindo sua boca voraz ao mundo.
Não há os momentos.
Não existe a constatação.
Tudo que minha fome engoliu
Não passou de mera ilusão.
Pés, no chão, fincados.
Mãos e cotovelos, também.
É chegado "o momento"...
Daqueles que nunca vêm!
Há um grande vazio ao meu lado.
Silencioso, ao meu lado, na cama.
Comungando dos pesadelos que tive,
Nas minha trevas, jogado na lama.
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